Câmeras mostram PMs agredindo e queimando estudantes com cigarro durante ocorrência em SP
03/04/2025

Câmeras mostram PMs agredindo e queimando estudantes com cigarro durante ocorrência em SP - Foto: Reprodução
Câmeras corporais, a que o g1 teve acesso com exclusividade, registraram o momento em que policiais militares ameaçaram, agrediram e torturaram dois estudantes de 14 anos na época. O caso aconteceu na Zona Leste de São Paulo em maio do ano passado.
Acusados de roubo, os jovens acabaram absolvidos. Os cinco PMs envolvidos no caso respondem por tortura e fraude processual. A primeira audiência na Justiça será nesta quinta-feira (3), quase um ano após o episódio.
Os jovens voltavam da casa de um amigo, quando foram apreendidos pelos PMs após serem acusados injustamente de roubar um carro. Os estudantes chegaram a ficar cinco dias internados na Fundação Casa.
Desde o episódio, a rotina de Vinicius mudou. Ele não anda mais sozinho na rua e tem medo quando uma viatura passa por ele, contou a mãe do jovem ao g1.
“Fiquei inconformada de o meu filho ter passado por essa situação, tendo ensinado tudo direitinho. A gente tem que ensinar a andar com documento. Se acontecer alguma coisa, não correr. Você ensinar regras para o seu filho para não acontecer esse tipo de coisa e mesmo assim acontece”, desabafa.
Como foi a abordagem
Segundo a denúncia do Ministério Público (MP), os estudantes foram abordados enquanto voltavam pra casa, e foram “constrangidos” pelos policiais para confessarem o roubo de um carro. Em seguida, foram algemados e colocados no camburão da viatura.
Após a apreensão, os jovens não foram levados diretamente para a delegacia. Os PMs pararam na Rua Bandeira de Aracambi, onde o veículo roubado foi abandonado, e permaneceram quase 20 minutos.
Neste período, Vinicius e Henrique foram agredidos e ameaçados de morte. As cenas violentas foram registradas pelas câmeras corporais, apesar das tentativas dos agentes de obstruir as imagens, colocando a mão na frente ou desacoplando o equipamento do uniforme.
Cinco policiais militares participaram do episódio. O cabo Leandro de Freitas Menezes e o soldado Guilherme Correia Jordão foram responsáveis pelas agressões e pela tortura “ativa”. Enquanto o sargento Gilmar Fim, a cabo Virgínia Gonçalves Rakauskas e o soldado Igor Vianna Da Silva “omitiram-se dolosamente”, de acordo com o MP.
Pela imagem da bodycam, é possível ver o momento em que o cabo Freitas agrediu Vinicius com soco no rosto, além de apertar seu pescoço enquanto chorava. Em seguida, o PM ainda encobriu e desacoplou sua câmera, passando a agredir Henrique.
Fonte: g1
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