Economia

Endividamento aumenta e RN é o 3° mais inadimplente do Nordeste, aponta Serasa

20/03/2024


 

Entre 10 potiguares, ao menos quatro estão com dívidas inadimplentes, segundo o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa. Em janeiro deste ano, o levantamento mensal da empresa que avalia as condições de crédito de milhares de brasileiros aponta que aumentou o número de inadimplentes no Rio Grande do Norte.

Foi o suficiente para que o RN subisse para a terceira posição entre os mais endividados em toda a região Nordeste. De acordo com o levantamento mensal divulgado pela Serasa, 44,14% da população adulta potiguar está inadimplente.

É o terceiro entre os nove estados nordestinos, atrás apenas de Pernambuco (45,15%) e Ceará (44,92%). O número supera a média nacional (43,91%) e também a média do Nordeste (41,58%). Ainda segundo o levantamento da Serasa, no ano passado, o RN era o quarto colocado entre os nordestinos, com 41,88% dos adultos inadimplentes, atrás de Pernambuco (44,47%), Ceará (42,93%) e Sergipe (42,37%).

Segundo o economista Janduir Nóbrega, alguns fatores podem explicar o crescimento de inadimplentes no Rio Grande do Norte. Entre eles, a perda do poder de compra. “A gente viu recentemente, uma outra estatística mostrando a renda per-capita do Rio Grande do Norte, inferior até a média nacional, R$ 1.347, menor que o salário mínimo. Quando você tem uma população onde a renda per-capita é inferior a um salário mínimo, já explica todo o restante do resultado que tem”, avalia.

Nóbrega aponta também os tipos de endividamento dos potiguares. “Ainda continua sendo o cartão de crédito, cheque especial”, tipificou.

No entanto, de acordo com Nóbrega, este não é um fator isolado para explicar o aumento de potiguares endividados.

“Planejamento financeiro é fundamental. A gente sabe que tem um grande número de famílias com dificuldades financeiras e quando olhamos de perto naquelas que conseguimos nos aproximar, a gente percebe que um dos problemas é o descontrole de planejamento. Não prestar atenção, comprar sem necessidade, não buscar entender realmente que o que está fazendo é necessário ou primordial. Às vezes é necessário mas não é primordial, posso postergar este consumo. Mas de maneira geral a falta de preparo eleva o grau de dificuldade na hora de quitar as dívidas”, pondera.

No entanto, o fato de quitar as dívidas também faz com que haja uma mudança no comportamento financeiro. “As dívidas financeiras que estão no programa Desenrola Brasil, ou negociando para sair do Serasa, interferem no financeiro. Quando a pessoa está sem crédito, a renda passa a ser 100% dela, até porque ela não paga ninguém. Mas a partir do compromisso, compromete a renda para pagar as dívidas”, explica o economista.

Segundo Janduir, algumas questões dificultam a situação econômica dos potiguares. Entre estes fatores estão a dificuldade da geração de empregos. “Não tem como a gente esconder que a relação de emprego e renda do Rio Grande do Norte é muito difícil. De um lado, não temos a mola propulsora do desenvolvimento, com obras de infraestrutura, parque industrial efervescente, setor de serviços forte, para gerar empregos, aumentar a geração de renda. O que sobra são as dificuldades e a dificuldade de você tornar mais confortável a vida da sua família com a renda que ganha”, concluiu.

 

Endividamento a nível nacional

A nível brasileiro, também houve crescimento no número de inadimplentes: o incremento foi de 1,40% em relação a dezembro de 2023, que corresponde a 967 mil consumidores inadimplentes. Ao todo, são 72,07 milhões de brasileiros em situação de inadimplência. Os brasileiros com idades entre 41 e 60 anos representam a maior fatia da população com nome restrito, com 35,0%. Na sequência estão as faixas etárias de 26 a 40 anos (34,2%), acima de 60 anos (18,8%) e os jovens entre 18 e 25 anos (12,0%).

 

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