RN tem segundo maior índice de desigualdade do Brasil, aponta Pnad Contínua
07/12/2022

De cada 10 pessoas no Rio Grande do Norte, quatro estão na linha da pobreza. Estes números são comprovados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), que indicaram ainda outro índice que causa preocupação nos potiguares: atualmente, o RN tem o segundo maior índice de desigualdade do Brasil, atrás apenas de Roraima.
Estes índices fazem parte da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, que enquadram menos 43,2% dos potiguares na situação de pobreza. Vale ressaltar que o Banco Mundial adota como linha de pobreza os rendimentos per capita US$ 5,50 PPC, equivalentes a R$ 486 mensais per capita. Já a linha de extrema pobreza é de US$ 1,90 PPC, ou R$ 168 mensais per capita. Estes, são 13,7% da população potiguar, segundo o levantamento.
Outro indicador que mostra que a situação do Rio Grande do Norte precisa de atenção é o coeficiente de Gini, que mostra o grau de concentração de renda em um determinado grupo e aponta a diferença de rendimentos entre os mais pobres e os mais ricos. A medição vai de 0 a 1 e quanto mais alto for, maior é a desigualdade. No RN, em 2021, segundo o IBGE, chegou a 0,587; em 2020, era 0,512 segundo o mesmo levantamento divulgado pelo Instituto.
Segundo o economista Janduir Nóbrega, no Brasil cerca de 140 milhões de pessoas ganham até R$ 7 mil de salário, número inferior a seis salários mínimos. De acordo com o especialista, quanto maior a limitação de renda, maior a dificuldade para buscar melhorar desenvolvimento e diminuir desigualdades. “No caso do estado, ele vive de arrecadação. Se a renda produzida no estado não é pujante, consequentemente vai arrecadar menos recursos e ter mais dificuldade de distribuir isso em formato de benefícios da própria população”, afirmou.
Em todos os estados nordestinos apresentaram crescimento no nível de desigualdade, segundo o levantamento. Em âmbito regional, o indicador no ano passado era de 0,556 e em 2020, o coeficiente de Gini era 0,526. Ou seja, antes o RN tinha índice de desigualdade menor que a região Nordeste e agora está acima da média dos estados da região a qual pertence.
Considerando apenas as capitais nordestinas, Natal (0,550) tem apenas o sexto maior coeficiente de Gini. Em situação melhor que a capital potiguar São Luís (0,530), Maceió (0,542) e Teresina (0,468). Nóbrega defende que o interior do RN possa afetar diretamente o índice geral do estado frente aos outros estados vizinhos. “A gente tem um polo industrial muito forte em Natal e região metropolitana.
Quando a gente sai daí, tem Mossoró e os pólos de Caicó, Pau dos Ferros e Santa Cruz. Mas não temos aquela indústria vigorosa que tem no Sul e no Sudeste do país. Então, por si só, se a gente fechar os olhos, Natal é a região mais desenvolvida do RN”, apontou.
Em comparação com as outras capitais nordestinas, Natal leva vantagem mesmo com níveis de riqueza e industrialização menores. “Nós temos em Natal um índice de Gini de 0,55 e Recife tem 0,60. Você vê que embora lá seja mais rico que aqui, existe uma desigualdade maior. O RN, com todas suas limitações, tem um índice de 0,58, enquanto Pernambuco, com todas as suas qualidades, tem 0,57. Tem lugares mais pujantes que o RN com indicadores muito próximos. A Bahia tem um polo industrial muito mais forte e maior do que o que existe no Rio Grande do Norte. Em contrapartida, a sua distribuição de renda não é uma das melhores”, observou.
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