Esquerda muda discurso sobre maioridade penal, e PL acusa Lula de “enganação”
16/10/2026

A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa da redução da maioridade penal para crimes hediondos provocou movimentações no cenário político nacional. A manifestação do presidente, feita durante entrevista à TV Globo, levou lideranças de esquerda e defensores dos direitos humanos a readequarem seus discursos, ao mesmo tempo em que foi alvo de duras críticas por parte da oposição. Com informações do blog Pedro Venceslau, da CNN.
O PT e demais legendas de esquerda mantêm, historicamente, posição contrária à alteração na maioridade penal. No entanto, a declaração do presidente abriu margem para novos posicionamentos internos. De acordo com Gutierrez Barbosa, coordenador do setorial inter-religioso do PT, a pauta possui forte apelo popular. "A redução da maioridade penal é um anseio social e uma pauta que dialoga com os evangélicos, que defendem penas severas para crimes hediondos", afirmou.
Avaliação no campo dos direitos humanos
Entre militantes de direitos humanos, a fala do presidente foi recebida com ressalvas. O historiador Rogério Sotilli, ex-secretário nacional de Direitos Humanos e diretor do Instituto Vladimir Herzog, avaliou o movimento como tático.
"Não gostei do que ele falou, mas vejo como um movimento estratégico de redução de danos", declarou Sotilli à CNN. O historiador pontuou ainda que a posição assumida por Lula pode provocar um "desgaste enorme" com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ressaltando que, embora o debate não deva ser bloqueado, não precisa estar no centro da pauta.
Oposição critica posicionamento e fala em oportunismo
No Partido Liberal (PL), legenda que tem a redução da maioridade penal entre suas bandeiras históricas, a declaração de Lula foi recebida com ceticismo e classificada como uma manobra política.
O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), rechaçou a fala do presidente. "Essa fala soa artificial. É uma enganação e claramente oportunismo eleitoreiro, como a promessa de picanha em 2022", disse à CNN.
O senador Izalci Lucas (PL-DF) seguiu a mesma linha de crítica sobre a mudança do tom do governo. "Eles sempre foram e continuarão sendo contra. O eleitor não cairá nessa", afirmou o parlamentar.
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