Alison faz história e diz que recorde mundial é questão de tempo
21/07/2022

Com sorriso simpático e humor irreverente, as marcas no corpo revelam uma vida de lutas e as passadas largas exibem a transformação de um atleta na transição para uma lenda. Alison Brendom Alves dos Santos, ou somente ‘Piu’, é o primeiro homem brasileiro a ser campeão mundial no atletismo. Com tanta história já escrita aos 22 anos, o esportista parece ter pela frente um longo futuro na competição, mas nenhum lugar é tão distante que suas pernas não consigam percorrer ou que seu carisma não consiga alcançar.
Foram precisos somente 46s29 para Piu voar na pista e conquistar a medalha de ouro na última terça-feira, em Oregon, nos EUA, nos 400 m com barreiras. Após cruzar a linha de chegada, Alison tomou para si o terceiro melhor tempo da prova na história. Superar o norueguês Karsten Warholm não foi fácil, mas nada comparado às dificuldades da sua própria vida. Agora, com o ouro no Mundial e o bronze olímpico em Tóquio, o atleta está cada vez mais perto de ser um dos grandes nomes do panteão mundial do atletismo. Em um futuro próximo, caso ganhe o título em Paris-2024, ele ainda será o primeiro brasileiro a faturar a Olimpíada e o Mundial no atletismo.
“Sabe quando você sonha com alguma coisa? Quando acorda todo dia na sua vida pensando nisso? Eu estava assim nesta temporada. Sonhando com esse resultado, essa vitória”, desabafou em entrevista ao SporTV após o feito.
Contudo, antes de toda a glória, antes de existir ‘Piu’ e seu carisma natural, o garoto nascido em São João Joaquim da Barra, no interior de São Paulo, não chegava nem a imaginar mostrar o cabelo, muito menos correr pelo mundo. Aos dez meses de idade, o menino sofreu um acidente doméstico com uma panela de óleo quente. Com queimaduras de terceiro grau, diversas cicatrizes marcam o corpo do atual campeão mundial até hoje. Tímido na infância por conta desse acontecimento, Alison ganhou o apelido de ‘Piu’ pela semelhança física com outra pessoa que tinha o mesmo apelido na cidade. Por ironia do destino e resiliência do atleta, o novo nome caiu como uma luva.
Saci, Curupira, Boitatá, que nada. Em mais um capítulo do folclore, Alison dos Santos se tornou uma nova lenda brasileira. Do menino pobre de poucos anos atrás, que viu o óleo quente queimar seu rosto, nasceu Piu, um garoto que cresce muito mais que os amigos e se torna um gigante de 2 m de altura que voa nas pistas para fazer sorrir toda uma nação.
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