Educação

RN atribui queda do analfabetismo a políticas de alfabetização e EJA

20/06/2026



 

A redução da taxa de analfabetismo do Rio Grande do Norte para 9,3% em 2025 — a primeira vez que o indicador fica abaixo de 10% na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE — é resultado de políticas de alfabetização desenvolvidas nos últimos anos, segundo o Governo do Estado. Entre as ações apontadas estão programas voltados à alfabetização infantil, a ampliação da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e a articulação entre Estado, municípios e Governo Federal.

O índice representa uma redução de 4,6 pontos percentuais em relação a 2016, quando a taxa era de 13,9%, e de 1,2 ponto percentual na comparação com 2024, quando o percentual foi de 10,5%. Ao comentar o resultado, a governadora Fátima Bezerra (PT) afirmou que os números refletem investimentos realizados em diferentes etapas da educação pública.

“Pela primeira vez, o Rio Grande do Norte reduz sua taxa de analfabetismo para menos de 10%, um marco que demonstra que investir em educação pública, com planejamento, compromisso e parceria com os municípios, produz resultados concretos na vida das pessoas. Esses números refletem o trabalho diário de professores, gestores, servidores, estudantes e famílias, além dos investimentos que estamos realizando desde a alfabetização das crianças até a Educação de Jovens e Adultos. Avançamos na permanência dos estudantes na escola, ampliamos o acesso à educação e fortalecemos políticas que garantem o direito de aprender em todas as etapas da vida. Ainda temos desafios importantes pela frente, mas os dados do IBGE confirmam que o RN está no caminho certo: construindo uma educação mais inclusiva, democrática e transformadora”, declarou.

A secretária estadual da Educação, Socorro Batista, também relacionou a queda do analfabetismo à continuidade das políticas públicas e ao trabalho desenvolvido em parceria com os municípios. “Os resultados divulgados pelo IBGE refletem um trabalho permanente realizado em todo o território potiguar. Estamos investindo na alfabetização das crianças, mas também garantindo oportunidades para jovens, adultos e idosos que não tiveram acesso à educação em etapas anteriores da vida”, afirmou.

Entre as principais iniciativas destacadas pelo governo está a Política Territorial de Alfabetização de Crianças (Pró-Alfa RN), desenvolvida em regime de colaboração entre Estado, municípios e Governo Federal. Um dos marcos da política foi a adesão de 100% dos municípios potiguares ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA).

A estratégia conta com uma rede de articuladores estaduais, regionais e municipais responsáveis pelo acompanhamento das ações pedagógicas. Entre as medidas implementadas estão a distribuição de materiais complementares para mais de 190 mil estudantes, a implantação de Cantinhos de Leitura nas escolas e a concessão de bolsas voltadas à formação continuada de profissionais da educação e à mobilização educacional nos municípios.

Outro instrumento citado pela Secretaria de Educação é o Sistema Integrado de Monitoramento e Avaliação Institucional (SIMAIS), utilizado para acompanhar o desempenho dos estudantes e subsidiar intervenções pedagógicas. Além da alfabetização infantil, o enfrentamento ao analfabetismo tem sido realizado por meio da Educação de Jovens e Adultos. Atualmente, a modalidade atende cerca de 24 mil estudantes em 202 escolas da rede estadual.

Desde 2021, o Estado desenvolve a Política de Superação do Analfabetismo (PSA/RN), financiada com recursos próprios e articulada com programas federais. Segundo o governo, a iniciativa já alfabetizou mais de 10 mil pessoas em 113 municípios potiguares. A experiência levou o Ministério da Educação a escolher o Rio Grande do Norte como sede do lançamento do Pacto pela Superação do Analfabetismo no Nordeste, realizado em 2025.

Os dados da Pnad Contínua também apontam avanços em outros indicadores educacionais. Entre as crianças de 6 a 14 anos, a taxa de frequência escolar chegou a 99,3%. Já o percentual de estudantes dessa faixa etária matriculados no ensino fundamental adequado à idade alcançou 96,3%, acima da meta de 95% prevista no Plano Nacional de Educação (PNE).

A pesquisa também registrou redução no percentual de jovens de 15 a 29 anos que não estudam nem trabalham. O índice caiu para 21,4%, o menor da série recente, representando redução de 2,5 pontos percentuais em relação a 2024. Entre as mulheres, o percentual passou para 25,2%.

Como parte das ações voltadas à educação de jovens e adultos, o Governo do Estado lançou nesta semana a Comissão Permanente de Avaliação Digital (CPA Digital), plataforma destinada à certificação da EJA. A ferramenta envolve aproximadamente 150 unidades da rede estadual, entre Centros Estaduais de Educação de Jovens e Adultos (CEJAs), escolas certificadoras e escolas aplicadoras.

Com a implantação da plataforma, pessoas a partir dos 15 anos que não concluíram a educação básica poderão realizar avaliações para certificação em formato digital. Segundo o governo, a medida busca ampliar o acesso aos processos de certificação e tornar os procedimentos mais ágeis.

 

 

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