Manuscrito no esgoto de presídio levou polícia até Deolane Bezerra; influenciadora tinha R$ 27 milhões sem destinatário identificado
22/05/2026

Reprodução/ Instagram
A investigação que resultou na prisão da influenciadora Deolane Bezerra dos Santos na quinta-feira (21), sob suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC, teve origem em 2019, quando agentes encontraram manuscritos na caixa de esgoto de uma cela da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, interior de São Paulo. A apuração é de Fausto Macedo, do Estadão.
Os documentos apreendidos indicavam contato entre os detentos e a cúpula do PCC, incluindo Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e continham um plano de ataque contra agentes públicos.
Um dos manuscritos mencionava “a mulher de uma transportadora” como responsável por levantar o endereço do então ex-diretor da unidade prisional. Essa referência abriu uma nova frente de investigação.
Pesquisas na Junta Comercial identificaram Elidiane Saldanha Lopes Lemos como sócia da Lopes Lemos Transportes Ltda., empresa localizada nas proximidades imediatas da penitenciária.
A análise financeira do Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro apontou que a transportadora movimentou R$ 20,2 milhões entre 2015 e 2019, com diferença de R$ 6,9 milhões entre despesas bancárias e declarações fiscais.
Elidiane e seu sócio Ciro Cesar Lemos foram condenados — ela a 11 anos e 3 meses, ele a 14 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão — por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Relatório técnico da polícia apontou Deolane como receptora direta de valores oriundos da transportadora e identificou movimentação superior a R$ 140 milhões em contas vinculadas a ela e a pessoas de seu entorno entre julho de 2022 e maio de 2024.
Na conta pessoal da influenciadora, os investigadores registraram mais de R$ 40 milhões em transações, sendo que os destinatários de R$ 27 milhões não foram identificados. O juiz da 3.ª Vara do Foro de Presidente Venceslau decretou a prisão ao concluir que o patrimônio público ostentado por Deolane — incluindo Lamborghini, McLaren e aeronaves — é incompatível com as informações fiscais conhecidas.
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