Política

Pedro Lucas rejeita convite para Ministério das Comunicação e pede ‘desculpas’ a Lula

23/04/2025


 

O deputado federal Pedro Lucas (União-MA) decidiu recusar o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assumir o Ministério das Comunicações.

“Tenho plena convicção de que, neste momento, posso contribuir mais com o país e com o próprio governo na função que exerço na Câmara dos Deputados“, diz o deputado, em nota divulgada após reunião com a direção do partido.

“A liderança me permite dialogar com diferentes forças políticas, construir consensos e auxiliar na formação de maiorias em pautas importantes para o desenvolvimento do Brasil”, segue.

“Minhas mais sinceras desculpas ao presidente Lula por não poder atender a esse convite. Recebo seu gesto com gratidão e reafirmo minha disposição para o diálogo institucional, sempre em favor do Brasil.”

 

Convite, confirmação e negativa

O comando do Ministério das Comunicações está vago há duas semanas, desde o dia 8 – quando Juscelino Filho, hoje ex-ministro, foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) por supostas irregularidades em emendas parlamentares.

 

No dia 10, a situação parecia resolvida. Lula se reuniu com a articulação política e Pedro Lucas em um jantar. Na saída, a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) afirmou que o parlamentar aceitou o convite, mas pediu um tempo para conversar com a bancada.

 

Partido dividido

Pedro Lucas é deputado do mesmo partido e do mesmo estado de Juscelino Filho, mas ambos são de grupos “rivais” na política do Maranhão.

O União Brasil compõe a base do governo, mas Pedro Lucas, que apoia Lula, é considerado próximo do presidente do partido, Antonio Rueda, que tem perfil de oposição.

Fundado com a fusão de DEM e PSL em 2022, o União Brasil é formado por “alas” que disputam o comando interno da legenda. A disputa envolve, inclusive, apoiadores de Lula e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

 

Disputa pela liderança

Juscelino Filho havia sido indicado por Alcolumbre para o ministério, e o interesse era manter a cota do presidente do Senado. Pedro Lucas é da ala mais governista do partido. A resistência se deu por causa de um possível risco político a Rueda.

Isso porque o presidente nacional do União Brasil indicou Pedro Lucas para ser líder do partido em um movimento que significou vitória para seu grupo e derrota para o de Elmar Nascimento (BA), que pretendia continuar na função depois de ter sido preterido da disputa para presidente da Câmara.

Se Pedro Lucas se tornasse ministro, haveria um novo processo de escolha de líder na Câmara, o que poderia expor Rueda a uma derrota. Também não haveria garantias ao governo de que o novo nome seria mais alinhado ao Planalto.

 

Fonte: G1 e Poder360

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